Supostamente e perante tudo o que se vê ou lê nos jornais e redes sociais o número de vagas de emprego para Assistentes Sociais, deveríamos dar saltos de alegria, no entanto nada mais errado se poderia pensar.
É conhecida a camuflagem e mistificação dessas mesmas propostas onde depois de avaliadas nos apercebemos que nada mais passam do que palavras vazias e cheias de desrespeito pela profissão. Palavras onde os proponentes sejam eles, publico ou privados se imiscuem na classificação da profissão, atribuindo novas terminologias, certo é que a ainda recente OAS tem tomado algumas iniciativas de forma a criar de facto não só as orientações adequadas, mas também o fomentar do respeito e credibilização da profissão e seus profissionais.
Cada vez mais se observam propostas de trabalho onde a descaracterização da profissão é evidenciada pelo resultado da passividade com que temos vivido os últimos anos e onde as instituições a seu belo prazer contratam e (des) contratam sem qualquer justificação ou responsabilização e muito em especial na época que atravessamos criar operações de caridade ausentes de qualquer presença profissional da classe ou metodologia adequada. Organizam as tais obras de caridade para a fotografia que tanta falta faz na política, não social, mas partidária como é o caso da “operação” organizada pela Camara Municipal de Palmela e a sua caridade forçada para com os migrantes, porque actualmente é moda, falar e apoiar os “migrantes”.
Os profissionais supostamente sabem do que falam e quais as necessidades da comunidade. Sabem Ver, Sabem Ouvir e Sabem Fazer utilizando determinadas ferramentas não só teóricas, mas acima de tudo práticas para atingir níveis de sustentabilidade do seu trabalho e resultados positivos para os seus objectivos direccionados a determinada comunidade ou grupo, muito em especial na época natalicia e é aqui que observamos os tais “Assistentes Sociais de ocasião” partidária e onde não falta a foto publicitária.
O seguir de forma cega determinado pensamento ou moda é algo que a meu ver desclassifica e muito a nossa profissão. Estamos muito no hábito de seguir modas e onde se perdeu o pensar por si e não seguir de forma cega metodologias ou práticas apenas porque é moda fazer ou dizer.
Tenho o privilégio de conhecer colegas que lutam desmedidamente por novas ideias, conceitos “Out of the Box” que se recusam a aceitar que estamos semimortos e a cair no ridículo do que se pode considerar num país cada vez mais dominado pela deterioração não só da profissão, mas também da sociedade que cada vez mais vive do que é “Fashion”.
Vivemos num país onde ser Assistente Social é escarnio de mal dizer e considerado por outras profissões apenas um “emplastro” que serve para arrumar papeis na gaveta ou ir ao café da esquina comprar cigarros e que para nada mais serve o Assistente Social. Estamos a viver uma actualidade onde a profissão continua cada vez mais a ser substituída por psicólogos não credenciados, ou os tais técnicos sociais, permitindo a cartelização das profissões e onde o lobby governa e é diferenciado pelo cartão partidário.
Enquanto não se atingir um nível superior do reconhecimento da profissão e seus profissionais continuaremos a viver a angústia da desregulamentação, da promoção do assistencialismo e da caridade de conveniência, repito partidária e organizada por sujeitos descaracterizados da profissão.
Continuamos a ver passivamente alguns deputados que até foram ou são Assistentes Sociais ou docentes no serviço social a assobiar para o lado como se nada se tratasse ou em corrente contrária ao objectivo da ordem, sendo quase aquilo a que podemos designar uma luta de galos ou de galinhas!
A nossa Ordem Profissional acredito, ter o poder e a vontade não só política, mas também social para construir um lobby forte sobre a profissão e para a defesa dos seus profissionais!
(*)
Licenciado em Serviço Social pela Universidade Lusófona de Humanidades e
Tecnologias (2006) - Pós graduado em Serviço Social pela Universidade Lusófona
de Humanidades e Tecnologias – Gestão de Unidades Sociais e de Bem-estar (2010)
– Doutorando em Serviço Social pelo ISCTE - VIA University College – Risskov Denmark International
Health (2017) Cambridge University Global Health – Oxford University Social
Politic - Member da British Association of Social Workers - Member
do British College of Social Work - Member Funder da International Association
for the Défense of the Ostomy Person - Member of the World Council of
Enterostomal Therapists






