sexta-feira, 26 de dezembro de 2025

Natal, época de caridade e das mangas de alpaca

Vitor B Munhão(*)
Cédula Profissional da OAS 0037

Supostamente e perante tudo o que se vê ou lê nos jornais e redes sociais o número de vagas de emprego para Assistentes Sociais, deveríamos dar saltos de alegria, no entanto nada mais errado se poderia pensar. 

É conhecida a camuflagem e mistificação dessas mesmas propostas onde depois de avaliadas nos apercebemos que nada mais passam do que palavras vazias e cheias de desrespeito pela profissão. Palavras onde os proponentes sejam eles, publico ou privados se imiscuem na classificação da profissão, atribuindo novas terminologias, certo é que a ainda recente OAS tem tomado algumas iniciativas de forma a criar de facto não só as orientações adequadas, mas também o fomentar do respeito e credibilização da profissão e seus profissionais.

Cada vez mais se observam propostas de trabalho onde a descaracterização da profissão é evidenciada pelo resultado da passividade com que temos vivido os últimos anos e onde as instituições a seu belo prazer contratam e (des) contratam sem qualquer justificação ou responsabilização e muito em especial na época que atravessamos criar operações de caridade ausentes de qualquer presença profissional da classe ou metodologia adequada. Organizam as tais obras de caridade para a fotografia que tanta falta faz na política, não social, mas partidária como é o caso da “operação” organizada pela Camara Municipal de Palmela e a sua caridade forçada para com os migrantes, porque actualmente é moda, falar e apoiar os “migrantes”.

Os profissionais supostamente sabem do que falam e quais as necessidades da comunidade. Sabem Ver, Sabem Ouvir e Sabem Fazer utilizando determinadas ferramentas não só teóricas, mas acima de tudo práticas para atingir níveis de sustentabilidade do seu trabalho e resultados positivos para os seus objectivos direccionados a determinada comunidade ou grupo, muito em especial na época natalicia e é aqui que observamos os tais “Assistentes Sociais de ocasião” partidária e onde não falta a foto publicitária.

O seguir de forma cega determinado pensamento ou moda é algo que a meu ver desclassifica e muito a nossa profissão. Estamos muito no hábito de seguir modas e onde se perdeu o pensar por si e não seguir de forma cega metodologias ou práticas apenas porque é moda fazer ou dizer.

Tenho o privilégio de conhecer colegas que lutam desmedidamente por novas ideias, conceitos “Out of the Box” que se recusam a aceitar que estamos semimortos e a cair no ridículo do que se pode considerar num país cada vez mais dominado pela deterioração não só da profissão, mas também da sociedade que cada vez mais vive do que é “Fashion”.

Vivemos num país onde ser Assistente Social é escarnio de mal dizer e considerado por outras profissões apenas um “emplastro” que serve para arrumar papeis na gaveta ou ir ao café da esquina comprar cigarros e que para nada mais serve o Assistente Social. Estamos a viver uma actualidade onde a profissão continua cada vez mais a ser substituída por psicólogos não credenciados, ou os tais técnicos sociais, permitindo a cartelização das profissões e onde o lobby governa e é diferenciado pelo cartão partidário.

Enquanto não se atingir um nível superior do reconhecimento da profissão e seus profissionais continuaremos a viver a angústia da desregulamentação, da promoção do assistencialismo e da caridade de conveniência, repito partidária e organizada por sujeitos descaracterizados da profissão.

Continuamos a ver passivamente alguns deputados que até foram ou são Assistentes Sociais ou docentes no serviço social a assobiar para o lado como se nada se tratasse ou em corrente contrária ao objectivo da ordem, sendo quase aquilo a que podemos designar uma luta de galos ou de galinhas!

A nossa Ordem Profissional acredito, ter o poder e a vontade não só política, mas também social para construir um lobby forte sobre a profissão e para a defesa dos seus profissionais!

(*) Licenciado em Serviço Social pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (2006) - Pós graduado em Serviço Social pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias – Gestão de Unidades Sociais e de Bem-estar (2010) – Doutorando em Serviço Social pelo ISCTE - VIA University College – Risskov Denmark International Health (2017) Cambridge University Global Health – Oxford University Social Politic - Member da British Association of Social Workers  - Member do British College of Social Work - Member Funder da International Association for the Défense of the Ostomy Person - Member of the World Council of Enterostomal Therapists 

 

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Serviço Social sem influencias - Manipulação social da profissão

 

Serviço Social sem influencias

Manipulação social da profissão

(Vitor B Munhão)

Mantemos um nível de conhecimento elevado, contudo optamos pelo mais fácil que é a actuação maioritariamente tecnicista. Por egoísmo evitamos um pensamento Out of the Box. O tal Saber comunicar deveria provocar a tal participação na evolução d@ profissional e a sua relação profissional com o utente. Desenvolvendo as potencialidades através de técnicas de sensibilização corporal, vocal e jogos de improvisação levando a uma integração de grupo e a título profissional proporcionar a firmeza necessária para enfrentar as enumeras dificuldades intrínsecas ao exercício da nossa profissão. Urge implementar, não só ao nível comunicacional como forma de transportar a humanização da relação profissional/utente para uma pura ilusão num futuro a médio prazo, como desenvolver uma imagem de proximidade assente num expectro positivista.

Devemos admitir que vivemos uma humanização de fachada dos serviços sociais, sob pena de começarmos a habitar num vazio dos sentimentos reais, onde cada vez mais a presença dos ditos “humanizadores camuflados” num conceito do que é “fashion dizer ou afirmar”, nada conhecem de um sentimento tão forte como é a relação interpessoal entre indivíduos, livre de frontarias e assente na verdadeira relação da comunicação e dos valores humanos.

Em muito o desconhecimento do tal saber ouvir e saber estar está cada vez mais ausente transformando-se num sentimento tecnicista presente no dia-a-dia da profissão. Onde nos passa ao lado o verdadeiro sentimento como se fossem palavras sem valor ético e que no meio de uma conversa fica sempre bem. Aumenta o receio de mostrarmos realmente as nossas lágrimas ou palavras de motivação junto de quem procura a nossa profissão pelas mais diversas razões, julgando que essa atitude nos faz perder o controlo do caso. No entanto e se nos encontrarmos no lado contrário da secretária ficamos logo a perceber o que está em causa por que sentimos exactamente a frieza técnica de uma conversa pré-programada e muitas vezes sem sentido para o utente.  

@s Assistentes Sociais, devem actuar como agentes promotores de mudança, mediadores entre o Estado e a Sociedade devendo admitir que uma das grandes essências do Saber passa exactamente pela transmissão desse mesmo saber, ajustado com palavras sensibilizadoras e acima de tudo firmes na sua certeza e humildade. Palavras e sentimentos que reduzam a falta de informação ou formação que conduz a um sentimento do desconhecimento pessoal e familiar do problema por parte do utente.

Compreender a mudança contínua da sociedade onde o próprio Assistente Social em muitos casos pensa por influencia e não pelo seu próprio saber, como representante dos serviços deve mostrar a fragilidade não só como profissional, mas também como utilizador do seu próprios “Saberes” dando infelizmente a entender que tem uma atitude robotizada, fria e sem sentimentos e que em muitos casos um simples, “Como posso ajudar?” faria toda a diferença junto de quem nos olha como uma ponte para uma solução! 

No entanto observamos uma tendência no pensamento por terceiros e não pelo próprio pensamento individual, quer isto dizer que em muito actuamos sobre influencia de determinados pensamentos em moda apernas porque alguém de suposto conhecimento e posição publica de relevo o afirma. Podemos estar em desacordo, mas como é alguém de posição social, então vamos acompanhar esse pensamento, por muito errado que esteja.

Devemos ter um pensamento primário individual e em conciliação com a realidade, necessidade ou obrigação social. Devemos ter um pensamento próprio e não manipulado por terceiros. Comunicar é algo tão vital que deveria estar em sintonia com o ensino académico da profissão, considerando o aprender a identificar o tom de voz, sinais corporais ou o simples olhar seja tão importante como o considerar dos conceitos teóricos e práticos!  

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

OPINANDO A (DES)AUTORIDADE DO AGENTE DA PSP

 

Após a chamada telefónica assisti, não só celeridade na chegada, profissionalismo na abordagem quer com a minha pessoa quer com a pessoa lesada, mas acima de tudo na forma humana como toda a equipa, composta por Homens e Mulheres abordou o meu pai.

Transformaram o pânico em conforto, transportando-o para um ambiente de segurança em seu redor após o trauma provocado pelo assalto que foi alvo dentro da sua própria casa. Assalto que contraria algumas afirmações sobre o nível de segurança que se vive na Cidade do Barreiro, nunca estiveram tão errados. Sendo que ainda hoje ninguém me conseguiu explicar qual a razão pela qual a classe política e outros se negam a instalar o sistema de CCTV na cidade do Barreiro e suas Freguesias.

Adiante, com toda a calma e paciência conseguiram que o meu pai, um Homem de oitenta anos, viúvo e com uma visão abaixo dos 20% retrocedesse temporalmente de forma a recordar todo o incidente nunca permitindo que o medo voltasse a instalar-se de novo na sua mente.

Com uma calma preciosa e avocando uma posição de proximidade ao cidadão que também na sua condição de pessoa humana, sabem o que é de facto o policiamento de proximidade, conseguiram as informações que entenderam necessárias para perceber de facto o que se tinha passado. Quais os bens furtados e uma possível identificação do artificioso “colaborador da EDP” que insistia na troca do contador e o pagamento antecipado de 67,50 euros de forma a perceber se havia mais dinheiro ou não em casa, o que veio a acontecer “transportando” tudo o que conseguiu apanhar coagindo o meu pai a entregar tudo o que tinha e que não tinha.

Apesar do roubo estar materializado, roubo não, quero dizer subtração pois se afirmar roubo, ainda o tal “colaborador da EDP” me acusa de difamação, não posso deixar de amplificar a atitude dos Homens e Mulheres, neste caso que compõem o Comando da PSP do Barreiro.

Homens e Mulheres, alguns que a cidade do Barreiro viu crescer. Filhos do Barreiro com quem tive o privilégio de jogar futebol (na altura quem tinha uma bola fosse de plástico ou de borracha era o rei da rua) e onde se andava ao soco e pontapé porque tinha levado uma canelada do guarda-redes, mas que cinco minutos depois terminávamos no café da SFAL, Zip Zip para beber um pirulito e perceber se tinha ganho um abafador ou um olho de boi.

Hoje travamos amizades virtuais nas redes sociais! Já não se joga descalço para não estragar os ténis Sancho ou pouco se sabe para onde foi o jogo da carica ou do espeta, muito menos sabem quem foi o Cabo Ferreira da GNR (ali para os anos de 70) que com o seu cavalo-marinho debaixo do sovaco levava as bolas para o posto ali para o lado do Largo das Obras e ninguém piava.

Agente da Autoridade é humano e como humano comete erros, tal como eu como Assistente Social já cometi muitos, caso contrário estaríamos a falar de máquinas tipo Exterminador ou qualquer coisa parecida! Ninguém é perfeito e na actual sociedade a perfeição parece que existe apenas nas redes sociais e nos amigos virtuais que não conhecemos de lado nenhum, mas que temos 4 mil e tal lá pelo facebook!

Hoje temos as redes sociais e telemóveis que fazem filmagens soberbas enviando de imediato lá para as clouds e depois para os facebooks ou instagrams aquilo que nos interessa e onde se misturam os interesses sociais e políticos de conveniência denegrindo Homens, Mulheres e instituição onde cada vez mais a taxa de suicídio sobe, porquê será?

Nas redes sociais observamos ataques desmedidos onde tudo vale apenas para a venda de jornais e medição de share e obtenção de votos para alguns potenciais candidatos a governantes, levando ao total desrespeito a quem não só é mal pago, mas acima de tudo está presente na defesa dos meus direitos como cidadão, vivendo em alguns casos em autênticas barracas onde nem eu nos meus tempos de militar de Cavalaria dormia. Se puxam do “cassetete” ou levantam um pouco mais o joelho são crucificados na “Praça da Betesga”!

Estes Homens e Mulheres cumprem o seu dever não só como profissionais, mas acima de tudo como pessoas humanas. Estiveram lá quando o meu pai precisou. Tenho a certeza que a precisar de novo vão dizer, Presente!

Caros (as) Amigos (as), dizer bom dia Sr. Agente, de certeza que não nos faz cair os “parentes na lama”, mas sim reforça o respeito por um cidadão que ingressou numa instituição talvez por preferência, ou talvez por predisposição, mas ingressou e esse ingresso implica segundo os valores defendidos pela instituição (…) buscar o ponto de equilíbrio nos conflitos de valor sempre presentes no plano da segurança interna, nomeadamente: liberdade versus segurança; e ordem pública versus direitos, liberdades e garantias (…)

Em meu nome pessoal envio o meu reconhecimento aos agentes da PSP do Barreiro que perante a situação ocorrida com o meu pai na passada quarta-feira não se rogaram no cumprimento das suas funções, indo muito mais alem!

Como Ex-Militar fiz o seguinte juramento que infelizmente já em muito caiu no esquecimento

«Juro, como português e como militar, guardar e fazer guardar a Constituição e as leis da República, servir as Forças Armadas e cumprir os deveres militares. Juro defender a minha Pátria e estar sempre pronto a lutar pela sua liberdade e independência, mesmo com o sacrifício da própria vida.»

Vitor B Munhão

Barreirense

terça-feira, 21 de setembro de 2021

SERVIÇO SOCIAL, O DESÂNIMO (IN)VOLUNTÁRIO E AS DEMAGOGIAS PARTIDÁRIAS DE CONVENIENCIA!

Desregulamentação, Desarrumação, Descaracterização e Descontextualização com certeza os ingredientes ideais para alimentar a desmotivação profissional do Assistente Social.

Em Portugal estima-se um número aproximado 17.000 assistentes sociais em que +/- 30% está no desemprego. Na ordem dos 60% estão integrados em IPSS´s e restantes 10% no sistema da função pública. É lógico, que o dito patronato se sinta melindrado, pois a OAS a surgir muita coisa supostamente iria mudar em especial nas IPSS´s e Misericórdias, estas a contratar “encarregados” com o 12º ano e auxiliares com “conhecimentos” em Serviço Social.

Cada vez mais assistimos a uma liberalização de conveniência dos conteúdos académicos onde a “batalha campal” entre universidades publicas, privadas e politécnicos levam a meu ver ao agravamento da descaracterização académica por conveniência financeira. Criando formações digamos por conveniência rápida para que não fechem portas.

Anualmente as escolas de serviço social produzem um elevado número de desempregados, talvez me arrisque a afirmar mais de 70% dos licenciados, derrotados pelo cansaço emocional e físico provocado pela inglória procura de emprego, desistem. Optando pela vida profissional em outros países nomeadamente Reino Unido, Espanha, Estados Unidos, África do Sul, Dinamarca ou Países Baixos. Financeiramente e muitas vezes em desespero de causa por que as despesas são mensais consentem posições de trabalho mal remuneradas e sem quaisquer garantias de futuro a não ser o baixar a cabeça, para conseguir ter o prato de sopa na mesa. Posições onde o patronato não tem qualquer consideração ou respeito pela dignidade deste reforçado com a cumplicidade de algumas confederações com conhecimento efectivo destas matérias e que fecham os olhos auxiliados pela inactividade dos órgãos representativos da classe, onde a acção sindical é nula e sem credibilidade assim como uma Associação pouco virada para a defesa social e profissional dos Assistentes Sociais.

Academicamente falando e se analisarmos com honestidade, as escolas estão a “fabricar” excedentes o que por sua vez promove o desemprego, a descaracterização da profissão e o aumento da emigração nos nossos licenciados.

Observando políticos que fazem comparativos académicos e onde fica bem latente o desconhecimento total do que falam, como é o caso da Espanha, onde os colégios da profissão regulam, falam do Reino Unido onde apenas existe uma entidade reguladora das ciências sociais e afins onde se integra o Assistente Social, o HCPC, agora Social Worker for England que não é uma Ordem Profissional, mas sim uma entidade que regula várias profissões. O British College of Social Work fechou em Junho de 2015 por falta de verbas e onde por acaso até fui membro, desde 2012. Discute-se o Conselho Federal Brasileiro do Serviço Social onde estão registados todos os profissionais e que é de longe a que mais se aproxima de uma ordem profissional das que mencionei. No entanto nenhum dos “dignos deputados” teve ou tem a leveza de contactar ou procurar junto destas entidades e principalmente junto da APSS, digo eu, qual a definição de Serviço Social. Abriram a boca e pintaram a manta com a cumplicidade de todos os partidos políticos, em especial o Partido Socialista e Partido Social Democrata que têm nos seus quadros o maior número de Assistentes Sociais como deputados!

Não observo também qualquer acção por parte da Federação Internacional dos Assistentes Sociais, questionando mesmo o seu propósito e onde a cota anual paga pela APSS, leia-se financeiramente é elevado o valor desta cota face às receitas obtidas pela APSS, o que me deixa pensativo, como já o demonstrei por várias vezes. Afinal de contas qual o papel da FIAS ou a Europe – International Federation of Social Workers? Onde tivemos representantes portugueses em lugares de destaque e que literalmente se rociaram, incluindo o não comparecerem em congressos da APSS, Coimbra por exemplo!  Ou supostamente as inúmeras reuniões pela europa fora onde nunca ou pouco se soube dos seus resultados, se é que existiram e qual o benefício para o assistente social em Portugal.

É mais que evidente a necessidade de estruturar não só através da regulamentação para o exercício da profissão, mas também a área académica sendo na actualidade uma arte em constante “assalto” não apenas nas suas competências, mas acima de tudo nas posições profissionais por áreas académicas criadas pelos mesmo que lecionam na licenciatura em serviço social ou os mesmos que e com grande pompa e circunstância apregoam a defesa, mas criam “cursos técnicos de serviço social e desenvolvimento comunitário” ou “Serviço Familiar e Comunitário”, Gerontologia entre outros  para conseguirem dar resposta às muitas exigências de determinados grupos ditos da Solidariedade!

Teimosamente alguns dirigentes partidários continuam a insistir na desregulamentação da profissão, muito em especial no seio do Partido Socialista através dos hipotéticos “comissários educativos e de larga experiência” que bloqueiam a regulamentação. “Comissários” que eles próprios docentes em escolas de serviço social onde “ensinam” a tal teoria do assistencialismo especulativo porque os pobrezinhos, nunca podem deixar de ser pobrezinhos, mas que fora espadeiram lutas de bastidores não pela defesa da profissão, mas sim em conseguir o melhor “trem de cozinha”!  

Regulamentar a profissão através de uma Ordem Profissional no presente provoca-me fortes dúvidas não só pelo que se espera, um agrupar de todas as profissões relacionadas com as ciências sociais, mas também pelo grande lobby existente dentro das escolas de serviço social de onde nunca saiu um “esquadrão de ataque” talvez pelos mais diversos receios, despedimentos, represálias, etc. ou quem sabe também por uma estratégia do bem com deus e com o diabo!

Está subentendido o receio e completo desconhecimento por parte de alguns dos intervenientes políticos sobre a constituição da OAS, sendo que desconhecem por completo e passo a citar, qual a (…) a assistência social que fazemos (…) ou que (…) devemos aprofundar mais as razões da OAS (…) esta podia utilizar um palavrão cá do arrabalde, mas…

Assistimos a políticos, que até enfiavam botas de borracha e vestiam calças de ganga quando visitavam bairros sociais ou outros que constroem grandes planos sociais de campanha onde os executantes são economistas e advogados ou psicólogos, desconhecendo a nossa importância. Observamos alguns “Assistentes Sociais” em posições de influência nomeadamente como deputados, deputados que em nada dignificaram a profissão, muito pelo contrário em algumas matérias envergonharam por completo deixando bem claro o seu intento e a sua subserviência política.

No entanto o que se pode esperar num momento dramático vivido nesta pandemia onde nem uma referência foi feita ao óbito de Assistentes Sociais ocorrido em 2020 no momento de maior complexidade da pandemia ou o facto de termos colegas na frente de combate a criar pontes entre a própria ANPC e o Ministério da Saúde, ARS, Centros de Diagnostico Covid19 ou Assistentes Sociais em enfermaria ou em UCI, está tudo dito!

Quando a própria Dra. Ana Mendes Godinho que tutela o MTSSS desconhece por completo a nossa acção, apenas comenta a acção de outros profissionais, que com todo o respeito faço a minha vénia de agradecimento, remetendo para a gaveta o papel fundamental que tivemos na gestão de lares entre outras instituições publicas e privadas. Talvez ninguém tenha prestada a devida informação sobre a profissão, quem somos e o que fazemos! No entanto mesmo em tempo de pandemia as promoções e nomeações políticas estão ao mais alto nível!

“O Assistente Social é um Mediador de excelência entre as políticas sociais e a sociedade devendo ser parte activa na sua construção e a Pessoa, Grupo ou Comunidade. Que não existam disso duvidas!”

Vitor B Munhão

May the force be with all of you!

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

O SERVIÇO SOCIAL - THE DARK SIDE OF THE FORCE, THE SOCIAL WORKER

“I could keep my mouth shut, but it would not be the same!”

Preocupam-me as disputas de opinião de alguns profissionais sejam eles Assistentes Sociais ou de outras profissões onde e que cada vez se percebe o pânico provocado pelo surgir da Ordem dos Assistentes Sociais. Desânimo e desmotivação de outros provocado pelo desinteresse propositado dos governantes sejam eles qual a cor partidária no reconhecimento da regulamentação da profissão e até da parte de alguns académicos que a seu belo prazer não esquecendo a apetência desmesurada pelo poder, vão furando e compondo disfarçadamente o terreno minando aqueles mais desleixados para uma possível candidatura a Bastonária (o) da Ordem dos Assistentes Sociais porque sempre dá uma posiçãozinha de destaque social, umas viagens de borla e um autógrafo do Hernâni!

Em suma torna-se cada vez mais óbvia a instabilidade provocada pela forte intenção de nos constituirmos como Ordem Profissional, prova estão as palavras vazias, mas trémulas de pavor por parte da Confederação Nacional das Ordens Profissionais na pessoa do seu Presidente e dos seus mais diversos elementos presentes nesta convocatória na Comissão Parlamentar, observando-se uma atitude instigadora e de uma falta de respeito assustadora quando sabemos que dentro das suas próprias Ordens a “complexidade, da questão, sendo uma questão complexa e de grande complexidade onde a complexidade na regulação de uma profissão é complexa! (Presidente da CNOP e Bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas), daqui está tudo complexamente dito!

 Por outro lado, e supondo eu que a Bastonária da Ordem dos Enfermeiros que é portadora por conveniência ou convicção do representativo pensamento “social democrata” logo contra a nossa ordem, defende a sua profissão e os seus profissionais até posso compreender, pois faria o mesmo se naquela posição estivesse, mas com certeza não faria afirmações descuradas e assentes na falsidade ou viria em defesa depois de perceber as carambolas financeiras onde está metida a Ordem dos Enfermeiros (reportados em 2016), mas essa parte pertence aos enfermeiros, talvez por isso a percentagem de não pagantes da cota é assustadora e que me leva a pensar seriamente sobre a credibilidade desta Ordem Profissional. 

Deixei de estranhar os comentários imaturos por parte da Ordem dos Enfermeiros muito em especial onde se alega que o Assistente Social não é autónomo lançando aqui mais uma confusão assente no maior desconhecimento sobre a profissão permitindo-me prestar mais um esclarecimento para que evite a senhora Bastonária de fazer figuras ocas e tristes, pois falar para estadista não é a mesma coisa que falar para Assistente Social sendo que a autonomia profissional, assente nas suas competências profissionais e académicas é total e cada vez maior. 

É fácil concluir que, das duas uma ou muitos profissionais de saúde e outros se enganaram na profissão que sempre sonharam ou deixaram de acreditar nas suas licenciaturas, o que ainda acho mais grave. Devia-se procurar saber qual a razão de um número elevadíssimo de Assistentes Sociais possuírem um vínculo de prestador de serviços, o que “prova” a autonomia jurídica da profissão, tal como os seus enfermeiros que e cada vez mais os números são assustadores no campo do desemprego ou e face à Lei um paciente que tenha uma alta clínica não pode sair da unidade de saúde ou hospitalar sem a alta social, que caso desconheça apenas o Assistente Social a pode emitir depois da alta clinica e de enfermagem, apesar de enfermeiros, médicos e gestores hospitalares tudo fazerem para suprimir a importância deste profissional no sistema de saúde.

É desajeitada a atitude para com os Assistentes Sociais quando esta Ordem de Profissionais negocia com a determinadas associações empresariais o remeter do plano nacional de saúde para o privado, ajudando ao acumular da divida do SNS, falo da portaria 111/2018, entre outros acordos de cavalariça que permitem ás farmácias o acto de enfermagem, supostamente com enfermeiros pagos em prestação de serviços a €3.25, remetendo a factura para o SNS ou faz cegueira sobre o pagamento de viagens pelo mundo a enfermeiros a troco da “imposição” ao individuo de determinados produtos e laboratórios. 

O Assistente Social tem por força da tal dita globalização da sociedade a necessidade de se tornar cada vez mais autónomo, mas também reforçar a sua independência profissional. Fruto da ausência de regulamentação. Muitos são os enfermeiros e outros profissionais que assinam um diagnóstico social ou fazem um encaminhamento assumindo-se a céu aberto como ASSISTENTES SOCIAIS, (parece que o sonho de muitos) esquecendo-se que o Assistente Social tem uma formação própria e autónoma do ponto de vista científico das restantes profissões, mas não é independente do ponto de vista profissional, trabalha em equipa partilhando o seu saber e atitude profissional num ambiente multidisciplinar.

É estranho os governantes, continuarem a acreditar nos pareceres despropositados e o fortalecimento deste tipo de “fazendas” permitindo o degradar propositado de uma profissão que é por força dos seus conteúdos a “bridge” entre a Sociedade e o Estado.

Não podemos continuar a ignorar a miscelânea de competências que nada têm a ver com a acção do Assistente Social, profissões criadas com um propósito muito específico, rentabilizar escolas com ideias em nada dignificantes, pois não explicam aos alunos qual o enquadramento profissional e social destas supostas licenciaturas. 

É frustrante quando se observa cada vez mais o Assistente Social que é substituído em concursos por profissões digamos que, “de maior modernidade” ou aqueles que aguardam a derradeira carta de despedimento para serem permutados por (in) competências académicas legalizadas pelos lobbys construídos por quem deveria ensinar a arte de bem executar o Trabalho Social ou por governantes que deveriam regulamentar a profissão para defesa da pessoa, do cidadão e que a ignoram ou dirigentes institucionais que numa total insipiência de conveniência premeditada remetem-se ao fotografo do dia para mobilizar as hostes de ogres e gárgulas tal é a ficção que se vive na profissão tornando-a pior do que viver ali para os lados do Triângulo das Bermudas, onde diz a história que muita coisa desapareceu sem ninguém perceber como e porquê!

E agora? Continuam as redes sociais a ser arma de arremesso onde se escondem os tais mentores das lutas pelos direitos ou vamos começar a marcar presença em frente da escadaria da Casa da Democracia? Eu já lá estive três vezes, aposto que alguns e algumas “movimentadores (as)” nem sabem onde fica! 

I´ll be back, when? I don´t know!

(publicado em 11-01-2017)

domingo, 5 de janeiro de 2020

QUEBRAR O PARADIGMA É URGENTE - PROFISSÕES CADA VEZ MAIS INDIVIDUALISTAS

(*) Vitor Bento Munhão

Desde sempre e agora cada vez mais nos apercebemos dos secessionismos extemporâneos profissionais e o pavor de que nos roubem a profissão.

Cada vez mais isolados e sem qualquer tipo de substância de prova o Serviço Social em Portugal é tido como uma profissão de segunda categoria, permitindo que alguns lobys a seu belo prazer se imiscuam em toda a gestão desta profissão, seja na regulação ou na defesa dos direitos sociais e profissionais. A preocupação do “quem é e não deixa de ser” seja a atingir o nível do ridículo onde se afastam excelentes profissionais apenas por se terem formado num Politécnico, coisa que ainda não percebi muito bem onde está a diferença quando percebo docentes que dão aulas em ambas as instituições académicas.

Algo de muito mau vai neste país quando assistimos ao reinar de uma luta desorganizada e provocada pelos interesses obscuros de alguns grupos. Grupos que e em causa própria lhes interessa esta confusão, promovendo contextos de indefinição e recusando a assumir um papel organizativo ou digamos até mesmo de apaziguamento profissional. Grupos onde a recusa inclusive da especialização profissional é algo aterrador levando-os a negar por completo o factor vital e importância de uma Assistente Social com uma Especialização!

Perceber o que são os Politécnicos ou Universidades? Num contexto de ensino Público ou Privado? Em que ficamos, quando temos que admitir que algumas das antigas escolas são hoje talvez os principais interessados na desorganização face ao baixar drástico do número de alunos em cada ano e onde tudo gira em redor do dinheiro e de grupos VIP´s!

Professores que misturam a sua docência entre o público e o privado e onde julgo que não devem ter programas específicos para cada uma das entidades onde leccionam logo pergunto, qual a diferença entre um Politécnico e uma Universidade? Quando e afinal de contas as universidades são os maiores produtores de desempregados e onde se pode comprovar o número de profissionais a emigrar.

Podemos hoje afirmar que no período entre Janeiro de 2014 e Agosto de 2017 os profissionais que se formaram em Universidades portugueses superaram em larga escala os que se formaram em Politécnicos, não quero com isto afirmar que um politécnico tem maior percentagem de empregabilidade, mas que supostamente está ao nível de uma Universidade, não tenho duvidas!

Para se perceber algumas ideias ou afirmações temos de estar minimamente integrados no contexto profissional de diversas profissões, nomeadamente ao nível do Assistentes Social e Educador Social onde quer se goste ou não as diferenças formativas são pouco diferenciadas, provocando as mais diversas discussões de concordância.

Assim podemos tomar em consideração que no período mencionado, a taxa de desemprego é bastante elevada e sem qualquer controlo por parte das entidades formativas ou representativas das duas classes.

Não existindo um registo fidedigno dos Assistentes Sociais em Portugal, apenas um número pouco fiável +/- 16 mil profissionais foi desenvolvido um estudo sobre as suas origens académicas, condições de trabalho e empregabilidade do Assistente Social Português fora de Portugal entre o período mencionado 01/2014 e 08/2017 tendo sido validada uma amostra de 248 profissionais a residir fora do País e considerando em exclusivo o Reino Unido, onde 46% são oriundos de Universidades e Institutos Superiores considerados de renome, como é o caso da Universidade Católica, Instituto Superior de Serviço Social do Porto/Lisboa e Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, seguindo-se o Instituto Superior Miguel Torga e a Universidade Lusófona de Lisboa e Porto. Universidade de Coimbra e dos Açores ficam-se pelo meio da tabela com 19% dos profissionais a residir em Inglaterra e no País de Gales.

O Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas com 11% dos profissionais a “optar” por trabalhar em terras britânicas. 7% destes profissionais optaram por tirar o seu grau académico em universidades Britânicas, como London College University, East Anglia University ou Oxford University, 2% na Universidade de Murcia e Universidade de Santiago de Compustela. Entre 10 a 15% são profissionais formados nos Politécnicos de Beja, Viseu ou Castelo Branco entre outros. Assim deixo ao critério da avaliação de cada um para que possam tirar as conclusões que julguem mais adequadas sobre os números presentes e importância dos estabelecimentos de ensino.

De facto e cada vez mais apesar do fecho de alguns cursos dos 23 que existiam em 2015, julgo ser tarde de mais pois o número de desempregados foi produzido durante os últimos quinze anos sendo que e na minha modesta opinião minimizar esse número a valores europeus obriga a que a estrutura profissional e representativa tenha obrigatoriamente que mudar o paradigma muito em especial com o assumir das especializações, acrescida obrigatoriamente da devida regulamentação, seja ela através de uma Ordem Profissional ou de uma entidade reguladora tal como no Reino Unido ou outros países da EU, onde a taxa de desemprego se situa perto de 2.12% em muito provocado pela forte taxa de entrada de profissionais oriundos do mundo inteiro ou até pelas mais diversas especializações promovidas pelos estabelecimentos de ensino a partir do terceiro ano de curso.

Julgo que e para marcar de uma vez por todas as profissões que integram os serviços sociais portugueses, em especial a do Assistente Social, devemos obrigatoriamente constituir-nos como parceiros privilegiados de discussão e permuta de conhecimento, caso contrário continuaremos a ser “comandados” por fontes externas e sem qualquer plasma de conhecimento de uma realidade cada vez mais descontextualizada da profissão e dos seus conceitos.

Espanha é também um exemplo a seguir, onde e também de igual forma é reconhecida e estimulada a especialização nas mais diversas áreas, como a área clínica hospitalar, saúde ou o contexto ambiental, Portugal continuamos a navegar ao sabor dos ventos de norte ficando cada vez mais a milhas de distância da inovação formativa.


(*) licenciado em Serviço Social / Pós-graduado em Gestão de Unidades Sociais e de Bem-estar / Doutorando em Serviço Social / Consultor / Member of the Associação dos Profissionais de Serviço Social (APSS) / Member of the British Association of Social Worker (BASW) / Member of the British College of Social Work (BCSW) / Member of the International Association for the Defense of the Ostomy Person (AIDPO) / Member of the World Council of Enterostomal Therapists (WCET)
 



Natal, época de caridade e das mangas de alpaca

Vitor B Munhão(*) Cédula Profissional da OAS 0037 Supostamente e perante tudo o que se vê ou lê nos jornais e redes sociais o número de vaga...